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Os ‘coaches’ que ricos contratam para lidar com a vida na cadeia

Quando os ricos deixam uma mansão de luxo para viver em um presídio, às vezes recorrem a consultores especializados em lidar com os problemas da vida atrás das grades.
Nos Estados Unidos, por exemplo, algumas das celebridades que receberam consultoria sobre a vida na prisão são a apresentadora de TV e empresária Martha Stewart, o ex-investidor Bernie Madoff e os jogadores de futebol americano Michael Vick e Plaxico Burress.
Esses consultores podem ajudar com todo o processo, desde a acusação até a sentença, por meio da revisão do caso, da solicitação de vantagens e benefícios e até atendendo ligação, no meio da noite, de familiares do preso.
O trabalho é oferecido com preços que variam de algumas centenas de dólares até mais de US$ 100 mil (o equivalente a quase R$ 400 mil).
"Quando você é preso, perde o controle da sua vida", diz Larry Levine, consultor de prisão, à BBC. "Quando me contratam, posso ajudá-los a saber quais são seus direitos e o que podem fazer para recuperar o controle."
Levine trabalha na área há anos, mas ele também cumpriu pena por uma década em todos os tipos de prisão federal no país.
"Eu não vou dizer a eles o que poderia acontecer. Vou dizer o que realmente acontece e por quê."
Levine disse à BBC que foi contratado por pessoas envolvidas no escândalo de fraude para admissão em faculdades nos Estados Unidos, no qual mais de 30 pais ricos, entre eles estrelas da televisão, são acusados de comprar vagas nas instituições mais respeitadas do país para seus filhos. As atrizes Felicity Huffman e Lori Loughlin estavam entre os pais acusados.
Entre os ex-clientes de Levine, estão um juiz acusado de roubar dinheiro e uma autoridade do governo que fez desvio de verba. Ele estima que, hoje, 75% dos clientes são referentes a crimes de colarinho branco e 25% são acusados de crimes ligados a drogas.
"Quando essas pessoas me procuram, elas estão mal. Eu faço o controle de danos", diz. "Eu sou um misto de psicólogo, conselheiro matrimonial, treinador de vida e padre."
Larry Levine Larry Levine diz que é um misto de psicólogo, conselheiro matrimonial, treinador de vida e padre

Mitos e terminologias

Muitas das recomendações de consultores para clientes estão focadas em desmistificar os passos do tribunal até a cela da prisão: aprender as terminologias, a sequência de eventos e o que esperar das diferentes instituições e dos programas de redução de pena.
O trabalho também está muitas vezes relacionado a encontrar a melhor estratégia para cada acusação - quando é melhor aceitar um acordo judicial ou quando o mais indicado é ir a julgamento.
Alguns dos consultores que a BBC entrevistou expressaram uma desconfiança em relação aos advogados que, segundo eles, muitas vezes deixam faltar alguma coisa - por exemplo, não explicam as opções dos clientes sem usar jargões.
Quando se trata de clientes mais ricos, muitos têm procurado uma experiência mais personalizada.
O consultor Justin Paperny, da White Collar Advice, diz que duas famílias do escândalo de admissão nas universidades com as quais está trabalhando procuram orientação sobre como conseguir a melhor sentença possível.
"Os juízes querem ouvir os réus, então nós os ajudamos a formular, com suas próprias palavras, por que eles são dignos de uma pena mais curta", diz Paperny.
Depois que o julgamento é feito e a sentença é divulgada, garantir a ida para uma boa prisão é fundamental -- e faz parte dos programas oferecidos por esses consultores.
Pessoas em situação como os pais acusados de fraude e suborno para admissão dos filhos em faculdades nos Estados Unidos, ou Michael Cohen, ex-advogado de Donald Trump, geralmente vão para prédios de segurança mínima, que muitas vezes nem são totalmente cercados e são divididos em dormitórios, em vez de celas.
Michael Frantz, diretor da Jail Time Consultin, que passou 36 meses em uma prisão federal, ajuda os clientes a apresentarem pedidos por locais que permitam a maior liberdade possível, além de levar em conta as preferências pessoais do cliente.
"Se ele gosta de fazer exercício, não quer ir para um campo em que ele não pode se exercitar", diz. "Se ele quer ficar sozinho e ler, isso tem que ser levado em consideração. Se ele quer um determinado tipo de alimento, então procuramos por esses locais - e eles existem."
Michael Cohen, por exemplo, está cumprindo sua pena no campo de Otisville, uma instalação no interior do Estado de Nova York conhecida por refeições kosher (que obedecem a preceitos do judaísmo) e serviços judaicos.
Michael Cohen deixou Manhattan para começar a cumprir uma sentença de três anos por fraude, evasão fiscal, financiamento ilegal de campanha e mentiras ao Congresso.
O conselho para os condenados ricos é sempre o mesmo: uma vez presa, a pessoa deve manter a cabeça baixa e se acostumar a não ter o que deseja.
Os clientes relacionados a crimes de colarinho branco têm mais medo de agressão e não conseguem manter contato com a família, segundo os consultores.
Mesmo que eles cumpram pena em locais mais seguros, tensões raciais e políticas estão presentes e há códigos de conduta a seguir.
"Mostre respeito. Não fure a fila para o telefone. Não estenda a mão sobre a bandeja de comida de alguém", aconselha Levine. "Eu vi pessoas sendo espancadas por isso porque é uma etiqueta ruim."

'Fora do radar'

No caso de Michael Cohen, por exemplo, Frantz diz que ele precisa ter cuidado com os defensores de Trump e tentar ficar "fora do radar".
"Os amantes do Trump não vão dar sossego a esse cara", diz Frantz. "As coisas acontecem no meio da noite: a urina é derramada sobre você, os detentos te seguram e jogam fezes em você. Acontece o tempo todo."
É preciso ter cuidado para não entrar em conflito com os agentes da prisão, já que isso pode trazer sérias consequências.
Frantz conta que cumpriu sua pena em um campo de segurança mínimo, mas que, quando os agentes diziam que ele se comportava mal, era enviado para uma cela de concreto, onde ficava com outro preso, sem poder sair por 91 dias.
Paperny diz que os serviços dele variam de US$ 9 (ou R$ 35), para comprar o livro dele, a US$ 100 mil (quase R$ 400 mil), para escrever livros para clientes, construir a marca deles ou administrar os negócios estando na prisão.
Frantz também oferece programas semelhantes, incluindo cuidados com a reputação, redução de pena e um curso básico de "como sobreviver na prisão".
O curso é a opção mais barata, no valor de US$ 495 (ou R$ 1.945). O pacote exclusivo que inclui todos os programas e acesso direto, 24 horas, a Frantz, custa US$ 35 mil (R$ 138 mil).
"Eles não querem correr risco e têm dinheiro", diz ele sobre os clientes que escolhem o pacote completo. "Eles gastaram cerca de US$ 1,5 milhão com advogado, então o que é mais US$ 35 mil?"
Questionados sobre a ética do trabalho, os consultores entrevistados pela BBC disseram que fazem o melhor para ajudar todos os clientes, não apenas os que podem pagar pelo pacote completo de serviços, e todos dizem que se envolvem em trabalhos voluntários.
Levine disse que vai ouvir, de graça, o caso de alguém antes de começar a prestar o serviço. Frantz disse que tenta manter a maioria dos cursos abaixo de US$ 2 mil (quase R$ 8 mil) e oferece planos de pagamento sem juros. Paperny diz que a empresa dele também administra um programa de treinamento gratuito para prisioneiros na Califórnia que é pago pelo departamento federal de prisões.
Mesmo assim, o preço do trabalho deles ainda é muito mais alto do que a maioria dos presidiários pode pagar.
"Sim, as taxas podem ser o que alguns consideram caro", admite Paperny. "Mas, francamente, é um investimento."
Fonte: MSN Notícias

Como se organizam governos pelo mundo

Agricultura com ou sem Meio Ambiente? Quem cuida da transparência? E o emprego? Essas têm sido algumas das questões mais latentes desde a vitória do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) no último dia 28 de outubro.
Isso porque Bolsonaro se elegeu com a promessa de reduzir o número ministérios, que são 29 no atual governo do presidente Michel Temer (MDB), como forma de tornar a gestão pública mais eficiente. Para cumprir a promessa, passou a anunciar fusões de pastas existentes.
Se ficar com o número final desejado, entre 15 e 18 ministros, Bolsonaro se aproximará dos números praticados em boa parte das principais economias do mundo, como Alemanha (15), Estados Unidos (15), França (16) e Japão (19). Mas esse procedimento, que não representa necessariamente uma economia substancial de dinheiro público, visto que a maior parte das estruturas das pastas permanece após as fusões, não é necessariamente um indicativo automático de desenvolvimento.
Um exemplo é o do Canadá. O décimo-segundo país mais desenvolvido do mundo, com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,926 (em uma escala que vai até 1,000), conta com 34 pastas para o assessoramento do primeiro-ministro Justin Trudeau. Entre elas, a comandada por Mélanie Joly, que, além de promover o turismo do país,é responsável por cuidar das línguas oficiais e da francofonia.
Pode parecer simples, mas a questão cultural do “Canadá francês”, as regiões do país que foram colonizadas pela França, são um grande desafio do governo, que precisa dessa estrutura para políticas que atendam a essa parcela da população. Só que isso não impede que o amplo governo do país também tenha uma outra pasta, liderada por Pablo Rodriguez, como o ministro da Herança Canadense e do Multiculturalismo.
Nas principais economias do mundo, que compõem o G20, o número de pastas oscila, com diversas formas de organização dos gabinetes dos chefes de governo. Alguns países, como a Itália, ainda adotam o procedimento do “ministro sem pasta”, um político ou técnico que não chefia um ministério propriamente dito, mas apenas é colocado neste status e incumbido de tarefas específicas. No atual governo, do primeiro-ministro Giuseppe Conte, são seis, entre eles a ministra para o Sul da Itália, Barbara Lezzi, encarregada das relações entre a administração central e a região.
No mesmo grupo de países, a campeã em número de ministros é, de longe, a Índia, com 104 ministérios para assessorar o primeiro-ministro Narendra Modi, divididos entre os que integram o gabinete de assessoramento imediato e os que ocupam cargos com influência menos direta na estrutura. Alguns exercem mais de uma função, como Jitendra Singh, que se ocupa as de energia atômica, do departamento de espaço, das pensões públicas, além de assessorar Modi. Para outras posições, é a função que é dividida, caso do Ministério do Transportes, que está sob a influência dos ministros Nitin Gadkari, Radhakrishnan P e Mansukh Mandaviya.
No extremo oposto, dentro do G20, está a Argentina, com apenas dez pastas, após uma reforma promovida pelo presidente Mauricio Macri em 2017. Saindo do grupo das maiores economias, a Suécia tem ainda menos pastas. Mesmo com seu amplo estado de bem-estar social, não considera ser necessário ter mais de dez ministérios para conduzir o governo.

Pastas curiosas

O cargo mais curioso entre os 104 da Índia é um que, no Brasil, poderia ser considerado como um hobby. Cabe ao ministro Shripad Yesso Naik cuidar do departamento de Ioga, também responsável pelas práticas de ayurveda, naturopatia, unani, siddha e homeopatia. No país, tratam-se de temas de saúde pública e a necessidade de um ministério específico se justifica – segundo o site oficial, dá para acompanhar as pesquisas sobre o tema e a sua propagação pelo país.
No Japão, a situação lembra a italiana. Os ministros recebem incumbências diversas, mesmo que não se forme uma pasta específica para estas. No gabinete do primeiro-ministro Shinzo Abe, Mitsuro Miyakoshi, por exemplo, é ministro “de” oito assuntos diferentes – e bastante diversos: ao mesmo tempo em que é “ministro de políticas para o Oceano”, ele também exerce a função de “ministro para medidas contra o declínio populacional”.
Tratam-se, ambos, de questões sérias para o Japão. Afinal, este é um país insular – formado por um arquipélago de ilhas – e que tem uma população progressivamente idosa. Com a projeção de que cerca de 30% dos japoneses tenham mais de 65 anos em 2022, o país precisa estimular o aumento da taxa de natalidade, diante do risco de faltar pessoas em idade ativa de trabalho que movimentem a economia do país.
Esse é um exemplo de uma pasta que representa necessidades muito específicas de um país, como é também o caso da Secretaria de Interesses dos Veteranos, que existe nos Estados Unidos e em alguns outros países com histórico mais ativo de envolvimento em confrontos militares, como Austrália e Canadá. Assim, os ex-combatentes americanos contam com uma estrutura exclusiva para seu apoio.
Mais curioso e menos justificável talvez seja o diferente Vice-Ministério da Felicidade Suprema, instalado pelo presidente Nicolás Maduro na Venezuela. Afeito a superlativos, o ditador atribuiu a necessidade de criar essa função às “grandes missões presidenciais”, vinculada ao principal ministério do país. Entre estas causas, o presidente venezuelano disse que o vice-ministério deverá dar atenção especial ao sem-teto, aos idosos e às crianças.

No Brasil

O último presidente brasileiro que venceu nas urnas com um discurso de redução do número de ministérios, antes de Bolsonaro, foi Fernando Collor, eleito em 1989. Até uma decisão foi semelhante: Collor também fundiu toda a área econômica em uma única pasta, além de outros agrupamentos, que o fizeram ter apenas doze ministérios, a menor marca desde a redemocratização.
Presidentes que promoveram grandes cortes, tanto ele quanto Michel Temer foram obrigados a voltar parcialmente atrás meses depois. Os doze de Collor se tornaram dezesseis às vésperas do impeachment deste. Temer herdou o Planalto de Dilma Rousseff (PT), campeã nacional na categoria. A petista chegou a ter 39, mas cortou para 32 antes de cair. O emedebista foi mais fundo, inaugurou seu mandato com 23, mas, no final, vai entregar 29 a Bolsonaro.
Fonte: MSN Notícias

FINALMENTE UM AUMENTO PARA OS SERVIDORES DE RESENDE


A partir deste mês, os funcionários de carreira da Prefeitura, concursados inativos e pensionistas terão um reajuste salarial de 3%. Os vereadores aprovaram, por unanimidade, na segunda-feira, dia 06, em Regime de Urgência Especial, o projeto de lei de autoria do Executivo que concede o aumento reajuste salarial. 

"O País atravessa um momento econômico difícil, mas sabemos das necessidades dos servidores de carreira da Prefeitura e da importância de repor as perdas salariais decorrentes da inflação, comenta o presidente Vereador Peroba (PPS) destacando que, embora o reajuste esteja longe de atender às demandas do funcionalismo é um bom inicio".

A opinião é compartilhada pelos demais vereadores conforme demonstrado durante a discussão do projeto no Plenário.

Em tempo, o projeto de lel que concede o reajuste chegou a câmara Municipal acompanhando de uma mensagem da Prefeitura que declara que a medida se tornou possível apos "dois anos de gestão colocando as contas em dia e cortando gastos.

Fonte: Jornal a Voz da Cidade

Deputados boicotam reunião com Witzel em protesto por política de segurança

Por Compartilha Rio

RIO - Nove dos 46 deputados federais eleitos pelo Estado do Rio de Janeiro recusaram o convite do governador do Rio, Wilson Witzel (PSC), para uma reunião sobre a reforma da Previdência, ocorrida nesta segunda-feira, 6, no Palácio Guanabara, a sede do governo estadual, em Laranjeiras (zona sul), em protesto contra a política de segurança defendida por Witzel.
O grupo, integrado por parlamentares do PSOL, PT, PDT e PCdoB, divulgou nota em que critica a “política homicida que vem sendo posta em prática no Estado e divulgada com fervor nas redes sociais do governador”: “Witzel anuncia a ação, entra no helicóptero e estaria, supostamente, numa das aeronaves no momento em que aparecem sendo feitos disparos de cima contra favelas de Angra dos Reis. Pessoas com envolvimento em crimes devem ser julgadas e punidas de acordo com as leis do Estado brasileiro. O governador do Rio não pode, por decisão sua, instaurar a pena de morte, em frontal desrespeito à Constituição brasileira, ou colocar em risco a vida de moradores dessas comunidades”, afirma a nota, assinada por Jandira Feghali (PCdoB), Benedita da Silva (PT), Alessandro Molon, Chico D'Angelo e Paulo Ramos (PDT), Marcelo Freixo, Glauber Braga, Talíria Petrone e David Miranda (PSOL).

“A política adotada por Witzel é inconstitucional, de lesa-humanidade e fere tratados internacionais assinados pelo Brasil, como a Convenção de Genebra e o Estatuto de Roma. Essa política banaliza a violência e oficializa a barbárie num estado que já convive com um aumento alarmante de mortes decorrentes de ação policial. O primeiro trimestre de 2019 já registra o maior número de mortes deste tipo em dez anos, com aumento de 450%. Tomaremos providências no âmbito nacional e internacional contra a repugnante e criminosa ação do governador, que quer transformar o extermínio em política de segurança pública”, conclui a nota.
A reportagem procurou o governador na noite desta segunda-feira, por meio de sua assessoria, para se pronunciar sobre as acusações feitas pelos deputados, mas não conseguiu contato até as 23h.
Reunião. À noite, Witzel divulgou nota sobre a reunião, sem mencionar o boicote dos nove deputados. “Foi uma reunião de aproximação, com o objetivo de conversar com os deputados e tentar buscar o consenso em algumas propostas sobre a reforma da Previdência. Os deputados ainda têm muitas questões a serem esclarecidas, especialmente com algumas categorias que podem ter algum aumento significativo de trabalho, como é o caso dos professores. Temos que ter em mente que, se não for feita a reforma da Previdência, nós podemos entrar em colapso”, afirmou Witzel no texto.
Fonte: MSN Notícias

É possível treinar para ser feliz, diz professor de Harvard

O doutor em psicologia e professor israelense Tal Ben-Shahar atendeu o telefone para esta entrevista na oficina onde esperava o reparo de um pneu furado de seu carro. Foram necessárias algumas ligações até a conexão funcionar.
O combinado era falarmos sobre felicidade e comecei o papo com uma provocação: “Vamos discutir o tema justo hoje que você teve que lidar com esse tumulto logo cedo”. Aos 48 anos, Tal, como pede para ser chamado, carrega o mérito de ter dado as duas aulas mais concorridas da história da Universidade Harvard, nos Estados Unidos (onde também se formou) – ambas explicando o caminho para ser feliz.
Tirou de letra, portanto, o pneu furado, as ligações chiadas e me respondeu, tranquilo, que seus cursos não levam apenas a uma vida satisfatória, mas tornam mais resilientes os alunos que frequentam os encontros. “Para conhecer a felicidade, a tristeza também precisa ser familiar”, lembrou o professor, que desembarca este mês em São Paulo para o Global Access Through Education (G.A.T.E.), seminário internacional sobre educação.
CLAUDIA: Há uma corrente forte atualmente que defende a busca constante pela felicidade. É possível alcançar esse estado frequente de satisfação?
Tal Ben-Shahar: Vamos começar entendendo o que é felicidade. Não é estar sempre positivo, rindo. Essa é uma expectativa irreal e que acaba levando à frustração porque é inalcançável. Não há só altos em uma vida prazerosa, mas também baixos como tristeza, decepção, inveja. Costumo dizer para meus alunos que existem apenas dois tipos de pessoa que não experimentam sentimentos negativos: os psicopatas e os mortos. Portanto, é ótimo sinal não acordar sempre naquele bom humor. Além disso, felicidade não se resume a sentimentos. Inclui ainda procurar e achar um propósito em qualquer área, seja na carreira, seja nos relacionamentos amorosos ou familiares etc.
CLAUDIA: Então a chave é não procurar a felicidade o tempo todo?
Tal Ben-Shahar: Perseguir a felicidade diretamente não é saudável. O melhor é fazer essa pesquisa de forma indireta, achar as pequenas coisas que trazem júbilo. Há cinco pilares que, quando equilibrados, trazem a sensação de realização: o bem-estar espiritual, físico, intelectual, emocional e nos relacionamentos. Em vez de querer o corpo perfeito, faz mais sentido depositar a felicidade em um exercício diário que traga deleite. Ou, no campo intelectual, em aprender algo novo todo dia, ir a uma exposição de arte, ler um livro, ver um filme. Não é o dia todo de euforia, mas aquele momento de puro prazer.
CLAUDIA: As redes sociais promovem essa falsa felicidade permanente, pois ali exibimos só o que é bom e damos a entender que não há momentos ruins. Qual o dano que isso provoca?
Tal Ben-Shahar: Eu não sou contra as redes sociais, mas acredito no uso moderado. Hoje, as pessoas estão viciadas. Há dois problemas nisso. Por um lado, você se sente inadequado o tempo todo, pois os usuários da timeline possuem um lindo sorriso, viajam, têm rotina perfeita; só você está de fora, lidando com o mundo real. De outro, as redes atrapalham justamente a vida social. As pessoas raramente se encontram hoje. E ainda não entenderam que ter mil amigos no Facebook não substitui aquele melhor amigo que frequenta sua casa. Nós, humanos, precisamos do olho no olho, do contato. Estamos solitários nessa trajetória virtual.
CLAUDIA: Você defende que o stress pode ser um fator positivo. Como?
Tal Ben-Shahar: A reputação do stress é terrível, ele já foi citado até como um assassino silencioso. Mas a verdade é que, se encarado de outra maneira, é um estímulo e indica crescimento. Pense nesta metáfora: você vai à academia, faz exercícios e sente dor muscular no dia seguinte. Que bom! Sinal de que está evoluindo e o corpo respondendo. No stress psicológico é a mesma coisa. Se puder descansar entre os episódios mais pontuais, conseguir relaxar a cabeça e não enxergar aquilo como sentença de morte, não afetará sua vida. Claro que você não vai achar uma delícia se irritar, mas pode olhar com maturidade. “Poxa, estou estressado, mas tudo bem, vou lidar com esse fato e não me deixarei ser afetada a longo prazo.”
CLAUDIA: Devemos ensinar essa visão aos nossos filhos desde pequenos?
Tal Ben-Shahar: Os pais têm responsabilidade na criação, muito do jeito de encarar o mundo vem de casa. Mas a escola também precisa fazer sua parte. Defendo que os currículos contenham matérias para nos ajudar a levar uma vida mais feliz e recompensadora. Devemos ter não só matemática e redação mas também aulas de resiliência, de como criar e manter relações saudáveis.
CLAUDIA: Ter um ambiente familiar acolhedor e amável quando criança é um diferencial para um futuro feliz?
Tal Ben-Shahar: Não. É claro que é melhor ter uma infância protegida, mas não significa garantia de uma vida adulta plena. Temos mais controle sobre a nossa felicidade do que imaginamos. Isso é bom e ruim, pois podemos mudar as coisas e superar medos, mas também sentimos culpa pela responsabilidade.
CLAUDIA: Cursos e livros que ensinam a ser feliz funcionam de verdade?
Tal Ben-Shahar: Apenas se você estiver disposto a colocar as lições em prática. Felicidade exige comprometimento e ação.
Fonte: MSN Noticias

PARTIDOS POLÍTICOS DO BRASIL - NOVA IDENTIDADE (ROUPAGEM)

Por Cristiano Gonçalves
Outros partidos vão seguir a mesma linha do DEM, que mudou de nome em 2007

O desgaste dos partidos e da própria classe política - marcado nas eleições do ano passado pela rejeição do eleitorado - já estimula mudanças nas mais tradicionais e mais estruturadas siglas do País. De imediato, das 10 maiores bancadas do Congresso, ao menos cinco siglas já alteraram ou estudam alterar o nome, decisão que costuma ser anunciada como um processo de busca de conexões com as redes sociais e de renovação de estatutos e programas.


Algo que o DEM, que hoje preside tanto a Câmara quanto o Senado, fez em 2007, quando deixou de ser PFL e adotou a marca Democratas. O PSDB e MDB, as duas maiores bancadas no Senado, devem ir na mesma linha. O fenômeno, segundo especialistas, é uma tendência mundial e revela uma mudança na relação do eleitor com a política que dispensa mediadores e tem campo aberto no meio digital.
Depois de abolir "P" da sigla, o MDB estuda passar a se chamar apenas "Movimento". O PSDB encomendou pesquisa para se reposicionar a partir de junho, quando ocorrerá a convenção nacional. Principal liderança da legenda, o governador de São Paulo, João Doria, fala em transformar o partido em "digital".
Ligado à Igreja Universal, o PRB vai se transformar em Republicanos, como antecipou o Estado. A intenção da legenda é focar sua atuação no campo ideológico da centro-direita.
Originário do antigo PCB, o Partido Popular Socialista (PPS) foi rebatizado recentemente como Cidadania, e tirou o "Socialista" do nome para receber os grupos de renovação política, como Agora, Livres e Acredite. Entre os 74 partidos em formação inscritos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 20 optaram por nomes com cara de movimento: Iguais, Raiz, Tribuna Popular, Animais, Força Brasil, Liga, Arena, UDN, Unidade Popular, entre outros.
O ex-deputado Roberto Freire, fundador e líder do Cidadania, observa que a ideia de partido como configurada hoje surgiu na revolução industrial, com o Partido Social Democrata Alemão. Para ele, este conceito está com os dias contados. "O mundo exige outra forma de organização. Os partidos vão deixar de existir", disse. "A comunicação direta com o eleitor é uma nova realidade. Hoje é só pelas redes. Ninguém espera mais uma articulação partidária por células em sindicatos de base."
Outra sigla que mudou de nome foi o Partido Trabalhista Nacional (PTN), que se transformou em Podemos em maio de 2017. "Somos cidadãos do século 21, mas lidamos com instituições concebidas no século 18. O que mobiliza hoje a sociedade não é mais a ideologia de esquerda ou direita, mas as causas, que são muito dinâmicas", disse a deputada federal Renata Abreu (SP), presidente da legenda.
Sistema
Para o professor de ciência política Leonardo Avritzer, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), esta tendência indica que o sistema partidário brasileiro é pouco consolidado. "Não consigo imaginar o Partido Republicano dos Estados Unidos mudando de nome", disse.
Avritzer avalia que existe grande desconfiança em relação aos partidos. Pesquisa realizada pelo Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT), em parceria com outras instituições, mostrou que, em 2018, oito em cada dez brasileiros (78%) afirmaram não ter "nenhuma confiança" nessas instituições. Uma das causas, segundo Avritzer, é a ausência de conexão com os anseios de parte da sociedade.
"A mudança (de nome dos partidos) é para se viabilizarem como estruturas que possam ser mais atrativas. Mas, provavelmente o motivo da pouca confiança não é que as pessoas não gostam do nome, e sim de determinadas de práticas", diz o cientista político.
O pesquisador vê o Brasil inserido em um movimento mundial de forte insatisfação com o sistema político tradicional. "O eleitorado esteve disposto a votar no PSL e no Novo, partidos que praticamente inexistiam em eleições anteriores", destacou. Nos casos dos partidos tradicionais, como MDB e PSDB, ele alerta que a mudança do nome significa, também, "abandonar muita coisa". "O MDB seria a própria tradição da luta pela redemocratização, e o PSDB seria abrir mão de uma série de bandeiras históricas.
Para o sociólogo Rodrigo Prando, professor do Mackenzie, a ideia de tirar o termo "partido" é uma tentativa de se mostrar mais conectado com a sociedade, numa tentativa de dar ares de modernidade a uma estrutura antiquada e pouco democrática. "Os partidos estão assentados em uma burocracia do século 20 e a sociedade hoje é outra, a democracia representativa está em crise no mundo todo. As eleições de Trump nos EUA e de Bolsonaro no Brasil deram uma chacoalhada no sistema." Para ele, é fundamental que a militância participe da discussão da mudança do nome. "Não pode vir só da cúpula."
Desde a derrota de Fernando Haddad para Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição presidencial do ano passado, o PT intensificou as discussões sobre como superar o antipetismo e o desgaste da imagem do partido.
Houve até a proposta de mudança do nome - hipótese prontamente descartada. Hoje o PT debate internamente a criação de uma frente formada por partidos, movimentos sociais e "setores democráticos", como forma de fazer oposição ao governo Bolsonaro. A justificativa para a estratégia da frente é a "ausência de um deslocamento da situação política à esquerda".
MDB quer ser 'movimento"
Depois de deixar o Palácio do Planalto, sofrer forte derrota nas eleições do ano passado e perder a presidência da Câmara e do Senado, o MDB tenta se reposicionar na cena política para sair do isolamento. Dirigentes do partido querem agora construir uma agenda econômica com novas bandeiras, limpar a imagem da legenda abalada por escândalos de corrupção e influenciar no debate do Congresso, para ser uma espécie de fiel da balança em votações importantes para o governo de Jair Bolsonaro.
A estratégia para sair da "segunda divisão" e ganhar protagonismo após a crise passa por um alinhamento entre as bancadas do Senado e da Câmara e mudanças no cartório.
Uma ala do MDB quer trocar o nome do partido, desta vez para "Movimento". Por trás desse novo batismo está a ideia de que o MDB admite erros, mas não é estático e dá a volta por cima. No fim de 2017, o PMDB já havia removido o "P" da sigla, voltando a ser chamado de Movimento Democrático Brasileiro (MDB), como foi criado, em 1966, quando fazia oposição à ditadura militar.
Antes antagônicas e em disputa, as bancadas do partido na Câmara e no Senado procuram agora alinhavar táticas conjuntas para avançar algumas casas no jogo legislativo e acumular força. Um dos temas em discussão, por exemplo, é a reforma da Previdência e o outro, as mudanças tributárias.
"Temos um Everest para escalar", disse o líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM). "Os governos, estrategicamente, sempre tentaram nos dividir, mas agora começamos a ter uma relação mais próxima. Estamos construindo várias pautas de políticas públicas e queremos debatê-las com o povo e com o governo."
A meta é explorar temas que têm impacto na vida da população e jogar os holofotes sobre a marca MDB. As bancadas do partido querem, por exemplo, mexer na proposta do governo Bolsonaro sobre abono salarial e propor uma nova política de salário mínimo para vigorar a partir de 2020. Uma das ideias do partido é preparar uma proposta de transição para a implantação da mudança no abono, incluídas pelo governo na reforma da Previdência, e que prevê a redução de dois para um salário mínimo a renda de acesso ao benefício.
Na avaliação do deputado Baleia Rossi (SP), líder do MDB na Câmara, o novo momento do País exige uma aliança entre todas as correntes do partido. "Não vejo sentido em ter dois MDBs diferentes", afirmou. "Precisamos superar as dificuldades e essa união ajuda a projetar nosso crescimento porque o próximo desafio é a eleição municipal de 2019." O plano do MDB é lançar candidatos próprios nas capitais e em cidades com mais de 200 mil eleitores.
Presidente do MDB paulista, Baleia Rossi disse que a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da reforma tributária, apresentada por ele, é um dos temas que podem juntar as duas bancadas no Legislativo, além das mudanças sugeridas para a aposentadoria rural e para o Benefício de Prestação Continuada (BPC), por exemplo.
TSE
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que o MDB ainda é o maior partido do País, com 2,3 milhões de filiados, embora tenha enfrentado um terremoto nas eleições do ano passado. Hoje, a sigla tem três governadores (Alagoas, Distrito Federal e Pará), 1.030 prefeitos, comanda um ministério no governo Bolsonaro - o da Cidadania, com Osmar Terra, e 34 deputados federais - um pouco mais da metade do que tinha antes -, mas ainda é dona da maior bancada do Senado, com 13 parlamentares.
Presidente do MDB, o ex-senador Romero Jucá (RR) não se reelegeu, assim como outros quadros históricos do partido no Senado, como Eunício Oliveira (CE), Edison Lobão (MA) e Garibaldi Alves (RN). Denunciado pela Lava Jato, Jucá atribuiu a derrota, na ocasião, ao que classificou como "linchamento" contra a classe política e à crise humanitária que atingiu Roraima, seu Estado, com intenso fluxo migratório de venezuelanos na região. Recentemente, Jucá conversou com Bolsonaro. "Mas não vamos entrar na base aliada", avisou. "O MDB quer ser independente." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
Fonte: MSN Notícias